au pair Durante o programa

Família Perigo: Minha primeira experiência nos EUA – APIA

00:18, na rua e sem dinheiro! Ok, vamos voltar ao início até chegar aqui.

Cheguei em Stamford dia 23/09 para o treinamento da APIA e no dia 25/09 minha host family me buscou no hotel de treinamento. Foi ai que o pesadelo começou…

Quando cheguei no carro, foi a primeira vez que falei com o host dad, eu não o conhecia até então. Ele tinha um sotaque irlandês terrível e as vezes era um pouco difícil compreendê-lo, mas até então tudo bem, pois segundo a conversa eu poderia pedir para repetirem caso não entendesse.

A conversa foi passando e no momento em que esqueci uma palavra que eu queria dizer, foi motivo de piada. A família ria como se eu tivesse contado a melhor piada do dia e nesse momento eu já comecei a me sentir desconfortável ao falar. Quando chegamos em casa (por volta de umas 9 horas), a host mom já começou a me dizer tudo que eu teria que fazer, eu estava tão cansada, mas fui prestando atenção em tudo.

Ela disse que eu teria que : Limpar as mesas e cadeiras todos os dias, aspirar os tapetes da sala e cozinha, varrer o chão, limpar o fogão toda vez que usasse, esvaziar toda a dishwasher todos os dias e por nos armários, tirar o lixo e levar para o galão (obrigações que não são da Au Pair), além das obrigações que são da Au Pair com as crianças e as coisas delas. Eu fiquei chocada com tudo, mas eu pensei “É adaptação, por isso to estranhando.”

Os dias foram passando e a minha sensação não mudava porque além de me tratarem como uma empregada, as crianças me tratavam mal também. O garoto de 1 ano gritava o dia inteiro, se jogava no chão e ficava se debatendo se ouvisse não, me beliscava, parecia que eu tava matando ele.

O de 4 anos tudo que ele pegava, apontava pra mim e dizia “Ta vendo isso? É uma arma e eu to mirando em você.” Eu dizia pra ele que não gostava e ele dizia “Mas eu gosto”. Eu comecei a ficar com um pouco de medo até porque a porta que ia pro meu quarto abria dos dois lados.

Eu fazia todo o meu trabalho e o que não era o meu trabalho e quando eu esquecia de algo (que não fosse minha obrigação) a mãe ficava muito nervosa comigo e falava como se eu fosse incapaz, isso me deixava mal. Acordei no dia seguinte com a ideia de que faria o meu dia ser bom, mas assim que cheguei na cozinha já vi que eu trabalharia novamente no sábado, sendo que o combinado foi que eu não trabalharia os finais de semana.

O que já me fez desanimar um pouco, mas eu não mudava, era maravilhosa com as crianças sempre, sorria pra todos mesmo estando triste. A família deles começou a ir na casa e deixavam tudo uma bangunça e ela fazia questão de agir como se fosse minha obrigação limpar a sujeira deles.

Eu chorava todos os dias, eu queria ir embora, mas o medo de pedir rematch e não encontrar família era maior. Conversei com minha mãee decidi que pediria o rematch.

Era segunda-feira e eu ainda não tinha conhecido minha LCC pessoalmente, porém ela viria na quarta. Quando chegou na terça, acordei com uma mensagem da host mom dizendo que a LCC estava na casa. Subi para a cozinha e encontrei uma cena igual de filme.

Vocês conhecem o filme “Corra!” ? Pois então, foi nele que me senti. Todos estavam de branco desde os pais até as crianças, com um sorriso no rosto e por surpresa pedindo rematch. Motivo? Alegaram que meu inglês era ruim demais para lidar com crianças de 1 e 4 anos, que eu era jovem.

Eu estava tão mal que simplesmente concordei com o rematch. A LCC perguntou quais idades de crianças eu gostaria e eu disse que não importava, mas que podiam ser maiores. Foi ai que ela começou a me rebaixar.

“Pra você conseguir uma família com crianças maiores você precisa de comunicação, não sei se você consegue”, “Por que você veio pra cá pelo Au Pair? Acho que você está no programa errado”,“Eles pediram rematch porque seu inglês é muito ruim, você tá entendendo?”, “Acho que esse programa não é pra você!”.

Eu não conseguia dizer nada porque a minha vontade era de chorar por tudo que eu tava sentindo e mais essas coisas que ela estava falando. Foi ai que eu descobri que a LCC conhecia a mãe desde que ela era criança, porque foi LCC da mãe da host mom, ou seja, eu não teria nenhuma ajuda.

Comecei a arrumar minha coisas, mas teria que ficar 2 semanas na casa até achar uma família e eles uma Au Pair. A mãe da host mom foi lá e me disse “Eu não sei que ideia é essa deles quererem rematch, você é uma babá incrível”.

A situação na casa ficava cada vez mais difícil e eu queria ir embora, tentava mas a LCC dizia que se eu quisesse sair da casa por estar me sentindo mal eu poderia ser expulsa do programa. Foi ai que o pai me seguiu na rua!!! Eu pedi ajuda as minha amigas, porque eu não aguentava mais um dia na casa e ninguém queria me deixar ir embora. Uma amiga ligou pra emergência e disse tudo que estava acontecendo na casa.

A emergência mandou a LCC me tirar de lá. Na mesma hora ela me ligou perguntando o porquê de eu querer ir embora, eu disse todas as coisas e ela disse então que avisaria a minha host mom. Nisso a host mom me ligou surtada “Olha só eu não sei o que está acontencendo mas você sabe que me marido ta indo pro Canadá hoje. Quem vai tomar conta dos meus filhos? Que história é essa de você não estar confortável aqui? Eu vou ligar pra minha LCC” e desligou na minha cara.

Foi ai que minha LCC enviou uma mensagem dizendo que estaria na casa às 8 da noite para termos uma reunião pra oficializar que eu queria ir embora. Quando a LCC chegou falei tudo de novo do que já tinha dito pelo telefone, tudo que aconteceu. E então ela disse que eu era mentirosa, que a família não tinha feito nada daquilo, que eu estava sendo uma pessoa sem consideração, que esse programa não é pra mim, falou que eu estava “desconfortavel” (ela literalmente fez com os dedos entre aspas), que eu não conseguia e que não era nem um pouco certo de eu arrumar família e novamente disse que a família queria o rematch porque o meu inglês era ruim.

Foi então que eu disse “Ela (apontei pra mãe) não fez 1,2,3 e nem 4 Skype comigo, ela fez vários, sabia como era meu inglês, sabia minha idade e agora vem com essa.” a mãe teve a coragem de virar pra mim e dizer “mas o seu inglês era melhor pelo Skype” não perdi a oportunidade e repondi pra ela que era o mesmo inglês e a mesma pessoa e que se algo tinha mudado era porque cada vez que eu errava algo ou parava pra pensar, eles faziam piada com a minha cara e riam de mim.

Ela tentou insistir que eu ficasse pra tomar conta dos filhos dela, eu não aceitei e disse pra ela chamar a babá que eles tinham. Elas ficaram irritadas demais e falaram mais um monte de bosta pra me deixar mal, enquanto isso, desde o início da reunião eu só sabia chorar e elas não estavam nem ai, mas não desisti e foi então confirmado que no dia seguinte de manhã eu iria embora.

Desci pra terminar de arrumar minhas coisas e a LCC continuou conversando com a mãe lá (ela literalmente me mandou sair da sala porque queria continuar falando com a mãe). Quando deu umas 10 e pouca da noite a mãe me enviou a seguinte mensagem: “Pegue esse trem das 00:18 e saia da minha casa, meu marido cancelou a viagem para o Canadá e não quer te ver na nossa casa quando ele voltar. Quando terminar me fala pra eu chamar um taxi, vai dar $$”

Eu entrei em desespero, porque eu ia me programar direitinho pra sair cedo. Mandei mensagem no grupo de umas Au Pairs da mesma agência que eu e todo mundo começou a ajudar. Foi ai que um menino que é Au pair tbm se prontificou a me buscar onde eu estava, respondi então pra host mom “Não tenho dinheiro para pegar taxi, meu amigo vem me buscar.”

Nesse momento ela surtou e começou a socar a porta do basement pra eu abrir, eu abri e presenciei uma pessoa descontrolada na minha frente, ela gritava e andava de um lado pro outro “A primeira regra da minha casa é NINGUÉM saber o meu endereço, você não pode mandar estranhos te buscarem aqui, ninguém vai te buscar aqui, você vai embora agora, eu já chamei um taxi” e jogou 20$ em mim. Ela estava tão nervosa que eu achei que ela ia me bater ou me empurrar daquela escada então eu pensei muito rápido e respondi que eu não dei o endereço dela, que eu dei o do vizinho e iria esperar meu amigo na rua. Ela deu uma pequena acalmada e começou a abrir as portas mandando eu sair da casa naquele momento. Saindo dali eu ficaria sem comunição porque ela tinha pego de volta o celular com o chip americano que eu estava usando. Enquanto eu estava saindo mandei uma mensagem pro menino que iria me buscar dizendo pra ele não ir na casa, pra me pegar na estação do trem..

Eu estava na rua quando veio um carro despedaçado com uma senhora dirigindo dizendo que era o taxi, fui colocar minha malas no banco porque ela nem abriu a mala e quando fui dar a volta pra sentar do outro lado a senhora quase me atropelou, fiquei com medo de entrar no carro com ela mas fui, fiquei o caminho inteiro fingindo ter internet e trocar mensagens. Ela me deixou na estação de trem que tinha na cidade e foi embora. Tava tudo muito escuro, um frio insuportável e a única coisa que tinha por perto era um bar com uns caras. Eu só conseguia pedir a Deus para aquele menino que ia me ajudar conseguisse me encontrar, foi quando um carro parou do meu lado e eu ouviu um “Hangelica?” Eu só conseguia agradecer e dizer que não tava acreditando que ele tinha me encontrado.

Uma ex Au Pair se disponibilizou a me dar abrigo aquela noite, então ele me levou pra casa dela. Chegando lá, ela e o marido checaram como eu faria pra ir pra Washington com apenas 100 doláres (que eu tinha, por algum motivo divino, guardado na semana de treinamento). O marido dela trabalha no aeroporto então me colocou como amiga e conseguiu um super desconto pra eu poder ir.

Por que eu estava indo pra Washington? Porque minha irmã tem uma amiga do Brasil lá que se disponibilizou a me abrigar durante o meu rematch.

Por fim, esses novos amigos me colocaram no dia seguinte no avião e a amiga de uma amiga me buscou no aeroporto e por fim cheguei ao meu destino em Washington.

Eu não tenho como explicar o sentimento de tudo isso que aconteceu, passaram tantas coisas pela minha mente do que poderia ter acontecido, mas graças a Deus eu tive anjos na minha vida e no fim tudo deu certo. Nós não sabemos o porquê de algumas coisas acontecerem, mas no fim conseguimos entender.

Esse post não é pra desanimar ninguém de vir, ele é apenas pra mostrar uma parte de uma realidade que pode acontecer. Eu me informei bem sobre a família, falei com ex au pair, fiz tudo. Então o que eu tenho pra dizer pra vocês é que esse e outro qualquer intercâmbio em que você fica na casa de uma host family, você joga com a sorte!

Então desejo MUITA sorte a vocês que ainda vão vir e meu conselho é que vocês não devem deixar ninguém te diminuir nunca, vocês são capazes de tudo que vocês quiserem!!!

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