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Será que o programa de au pair vale a pena? | Fim de um ciclo

Que o au pair é uma montanha-russa, todo mundo que conhece o programa já sabe. Agora, o que realmente faz a maioria das meninas questionar se devem ou não fazer, é : será que vale mesmo a pena?

Hoje, fazendo 10 meses que terminei o intercâmbio, vim contar pra vocês a minha opinião sobre. Lembrando que não é nenhuma verdade absoluta, só a minha experiência, tá meninas?

O meu intercâmbio

Indo a San Francisco no ano novo (ainda encontramos várias outras meninas por lá)

A minha passagem pelos Estados Unidos foi de setembro de 2019 até outubro de 2020, o que acabou se tornando duas fases completamente diferentes, o antes e durante a pandemia do covid-19.

Desde a chegada em Nova York até cada final de semana na Califórnia, foi simplesmente incrível. Tive a oportunidade de fazer muitas amizades que levo até hoje, viajei sozinha e pude realizar coisas que eu não esperava tão cedo nem nos meus melhores devaneios.

Sempre tinha alguém com algum plano para a semana e mesmo sem me conhecerem ainda, eu era convidada. Desde patinar no gelo no encontro mensal de outra agência até festas, aulas, viagens, trilhas e o que quer que a criatividade permitisse.

Quando o covid-19 estourou as coisas mudaram um pouco, passei em torno de dois meses sem sair com ninguém, só caminhadas sozinha. Com o tempo pude ir para lugares abertos, mas ia apenas com três meninas que sabia que estavam sendo cuidadosas. Parei com as viagens e cuidava o máximo possível o tempo inteiro.

Mesmo tendo uma ótima relação com a minha host family, não foi fácil dormir e acordar trabalhando. A rotina ficou mais pesada, eu estava cansada e muito preocupada com a minha família no Brasil. Continuei tendo uma experiência legal, vendo aqueles meninos lindos que eu cuidava crescerem e fazendo muitas trilhas. Mas por decisão minha, achei que não era o melhor momento para um intercâmbio, queria estar perto da minha família caso precisassem de mim e isso foi o que me levou a não extender por mais alguns meses ou um ano.

Em retrospectiva de tudo o que passei eu tenho certeza que repetiria tudo de novo, do mesmo jeitinho, com as mesmas pessoas no processo. Como sei que é algo que pesa bastante ao pensar em ter uma experiência tão diferente fora do Brasil, separei em tópicos minhas principais conquistas e dificuldades ao longo do intercâmbio:

Minhas conquistas

  • Inglês: O au pair me ajudou com o inglês antes mesmo de eu pisar nos EUA, já que foi a minha motivação para estudar todos os dias de todos os jeitos possíveis. Consegui sair do básico e ir para o intermediário durante o processo e voltei com um inglês avançado. Ainda com erros e pontos a melhorar, só que me comunicando bem;
  • Viagem pela Europa: Eu sempre sonhei em ir para a Europa, nas minhas férias tive condições financeiras de ir para a Itália e França e até conhecer Londres por causa de um vôo cancelado. Foi uma viagem rápida, mas só com o salário de au pair paguei tudo antes de ir e ainda tive o dinheiro que precisei para a emergência da volta;
  • Aprender a dirigir: Nunca tive vontade de dirigir no Brasil, pensava que não era pra mim. Por ser algo que se precisa muito no programa, fiz a minha CNH. Chegando lá, a minha host family me ajudou demais praticando e até me deram algumas aulas com uma escola de direção. Hoje amo dirigir;
  • Curso em Stanford: Foi um curso de apenas 5 semanas que mudou a minha percepção de mundo e me fez inclusive mudar a minha percepção de carreira. Além de ser em uma universidade super renomada, para quem não tinha dinheiro nem pra pagar aulas de inglês na infância e adolescência, foi uma baita experiência;
  • Dinheiro para o Brasil: Quando tudo fechou e parei com as viagens de final de semana, comecei a mandar dinheiro para o Brasil aos pouquinhos, nada que me fizesse falta no dia a dia. No final, consegui chegar no valor de 15 mil reais;
  • Ipad: Muitas meninas compram todo o kit Apple quando chegam nos States, eu não tinha tanta vontade e queria pagar a minha viagem pra Europa antes de qualquer coisa. Quando a pandemia começou decidi que precisava de algo um pouco melhor para estudar e pude comprar o Ipad na mesma semana, pagando a vista;
  • Ver neve: Quem nunca sonhou com isso né? Em uma viagem de final de semana com meninas incríveis tive essa experiência no lugar mais lindo desse mundo: Yosemitte National Park;
  • Me locomover de bicicleta: Também durante a pandemia, busquei atividades que não precisava de contato com outras pessoas e me fizesse feliz. Minha host family me emprestou uma bicicleta, eu venci meu medo de estar perto dos carros e fiz várias trilhas e caminhos lindos ao redor da Bay Area;
  • Participar do crescimento de duas crianças: Estar com os meninos todos os dias ao longo de um ano te faz criar um laço indescritível. Como a primeira vez que ele falou que queria brincar comigo ou continuou pegando caixas para colocar na Rocketship que estávamos construindo. Ou mesmo quando começou a cantar em português “se essa rua fosse minha”. Confesso que não foi fácil me despedir dos pequenos!

Dificuldades

  • Carga horária e morar no trabalho: São duas dificuldades que acabam estando muito conectadas. Quando você vai para um intercâmbio, você quer explorar o máximo possível, poder estudar e ter novas experiências. Mas não é fácil fazer isso quando se trabalha 45 horas semanas, algumas vezes 10 horas num mesmo dia. Para mim isso, somado com o fato de estar no trabalho, acabou sendo muito mais pesado que uma turma de 18 crianças;
  • Covid-19: A pandemia me abalou muito. Nunca fui muito apegada a estar perto da família nem nada. Mas a preocupação de uma doença se espalhando tão rápido e eu não estar lá pra ajudar minhas irmãs foi forte. Eu também me preocupava muito com minha host family, não queria em hipótese nenhuma colocar eles em risco. Ainda mais tendo um recém nascido em casa. Então acabei saindo o mínimo possível na segunda metade do Au pair;
  • Encaixar aulas no schedule: Antes da pandemia o meu horário era um pouco quebrado, normalmente era algo como das 7 às 9, depois das 12h até 19h. Então de manhã era muito difícil encaixar as aulas no horário, de tarde não tinha como e a noite às aulas costumavam começar as 17h ou 18h, então eu tinha que fazer as poucas que encaixavam, sem poder escolher muito. Com a pandemia conversamos e passei a parar um pouco mais cedo alguns dias para poder fazer aulas;
  • Carteira de motorista: Muito se reclama do Brasil, mas é complicado tirar a carteira na California viu! O DMV estava sempre lotado, passei de primeira na prova teórica, mas só consegui marcar a prova prática pra três meses depois. Aí quando chegou no dia não me deixaram fazer porque não tinha ninguém maior de 21 com DL comigo, mesmo eu tendo autorização para dirigir na California com a minha CNH e PID do Brasil! Acabou que depois disso nem consegui reagendar por causa da pandemia e nunca terminei a carteira.

E depois?

Antes mesmo do intercâmbio terminar eu comecei a mandar currículo para algumas empresas, melhorar o meu LinkedIn e fazer cursos para o mercado de trabalho. Duas semanas antes de voltar para o Brasil, consegui uma vaga que eu queria muito, como Analista de Redes Sociais em uma agência de marketing em Manaus. Inclusive esse blog me ajudou a conseguir a vaga! Tanto lá quanto em outros contatos que tive com diferentes empresas, a minha experiência como au pair foi bem valorizada.

Voltei a morar com o meu namorado, destranquei a faculdade, fiz extras dando aulas de inglês e pude ficar muito mais tranquila, sabendo que se alguém precisasse de mim eu estaria ali.

E agora?

Recentemente me casei e estamos indo juntos para uma nova etapa da nossa vida: o Canadá. Nem eu sei o que vem depois disso haha!

De uma coisa eu tenho certeza: virão dezenas de novas histórias para contar e um novo ciclo aqui pelo blog!

Conclusão

O intercâmbio de au pair é desafiador, te tira da zona de conforto e te joga num mundo novo cheio de saudades que não fazem nenhum sentido para quem nunca viveu fora. Mas é bom, te faz se conhecer melhor longe da visão do pessoal que te conheceu a vida inteira. Te faz desenvolver habilidades que você nunca pensou antes ou até achava que não era capaz (aka inglês e direção pra mim).

Respondendo a pergunta do post: sim o au pair valeu a pena. Teria optado por isso todas as vezes se soubesse tudo o que aconteceria depois disso pra mim. Me fez crescer, viver e sonhar muito mais alto do que um dia imaginei. E olha que sempre quis muito, hein!

Quer acompanhar mais dessa novela toda? Vem pro meu insta @carolinedelly!

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